queria fazer um poema
que tivesse as palavras
cronograma e
esqueci a outra
mas a ideia
era fazer um pema
queria fazer um poema
que tivesse as palavras
cronograma e
esqueci a outra
mas a ideia
era fazer um pema
- segundos
tão pequenos achava que nem ia precisar contar
formiguinhas traiçoeiras
que ódio delas
- minutos
como se cada ponteiro do relógio se esforçasse
uma linga tentando desgrudar do céu da boca
imitando o som de um estralo
- dias
houve um impedimento sobrenatural
impediu quele tempo passar
ele só escorregava es cor re ga va
tinha era lodo
- semanas
não foram nem duas que exagero é esse
como se não houvesse nada pra fazer
essa parede sempre teve aquela mancha?
- ano
não achava que ia chegar a esse ponto
chegou? porra
trezentos e seiscentos e não sei quantos
A mulher da ponte vermelha
que por acaso estavaipê amarelo
o ano é curto
ajuda a entender
a vida passar
a bússola quebrou
o tempo se partiu
pela travessa ficou
ipê amarelo
faz de mim teu espelho
ultrapassa minhas espectativas
mesmo as não correspondentes
ancora agora no que for de bom
sinaliza a mudança
me re-ensina a andar
ipê amarelo
onde tu escondeu
a beleza do sol?
me guia pelo modelo
exemplar da magnitude
completa da beleza
que tu aprendeu
com quem tu espia
ipê amarelo
no mapa das tuas folhas
consigo ver o amanhã
pelos galhos correm
o ontem
as folhas que demoram a cair
é o hoje que nunca se vai
ipê amarelo
o fim disso
pode ser
teu recomeço
Algumas primaveras acontecem sorrateiramente
Passam-se anos e ninguém sente o cheiro das flores
Os bichos não envelhecem e os relógios
De alguma forma insistem em voltar ao mesmo lugar
Os reencontros antes de acontecerem pegam o trem
O lugar de destino final tem espelhos e setas
Não há fórmula televisiva nem industrial
O que resta é mover-se a lágrima e suor
Enquanto se espera o diferente desabrochar das rosas